Quinta-feira, Maio 31, 2012

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A montanha em frente é o gigante que domina a paisagem...



Tango

É sem duvida um primor de elegância. Vale a pena ver até ao fim.
No início do século XX, o Tango era dançado entre homens, como é o Sirtaki, dança tradicional grega.

Era vergonhoso para uma mulher ter essa oportunidade. 
Levou mais de 20 anos até que o TANGO fosse dançado com uma mulher.

Este vídeo é uma obra de arte. O estilo é uma pequena jóia...



O sábio distraído, vai à rua comprar cigarros e deixa um papel na porta: “Saí por instantes. Volto já.”
Regressa, sobe a escada, lê o papel, senta-se no patamar e diz: - Bem, espero um pouco. Oxalá que não demore...



 O pescador: 
— Há três horas que o senhor está aí a observar-me. Porque é que não pega numa cana e não vem também pescar?
— Não tenho paciência.


GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio Nº 112



 - Meu Deus, os tabuleiros…

Arrumaram às pressas, os doces sobre o dos salgados, tudo na cabeça de Tuísca, que saíu assobiando a melodia. Os pés de Gabriela ainda traçaram uns passos, dançar era bom.
Um ruído de fervura veio da cozinha: ela precipitou-se.

Quando sentiu Chico Moleza entrar na casa ao lado, já estava pronta, tomou da marmita, enfiou os chinelos dirigiu-se para a porta. Ia levar a comida de Nacib, ajudar enquanto o empregado não estava. Voltou, porém, colheu uma rosa no canteiro do quintal, enfiou o talo atrás da orelha, sentia as pétalas aveludadas a tocar-lhe de leve a face.

Fora o sapateiro Felipe – boca suja de anarquista a praguejar contra os padres, tão educado quanto um nobre espanhol ao falar com uma dama – quem lhe ensinara aquela moda. «A mais famosa das modas», dissera-lhe.

Todas as muchachas em Madrid usam uma flor roxa nos cabelos…

Tantos anos em Ihéus, batendo sola e ainda misturava palavras castelhanas ao seu português. Antes aparecia no bar apenas de raro em raro. Trabalhava muito, remendando selas, arreios, fabricando chicotes de montaria, botando sola em sapatos e botas, no tempo livre lia folhetos de capa encarnada, discutia na Papelaria Modelo.

Quase só aos Domingos vinha ao bar para jogar gamão e damas, adversário temido. Actualmente era todos os dias, antes do almoço, na hora do aperitivo.

Quando Gabriela chegava, o espanhol suspendia a cabeça de rebeldes cabelos brancos, ria com os dentes perfeitos de jovem.

 - Salve la gracia, olé.

E fazia com os dedos um ruído de castanholas.

Outros também, fregueses anteriormente acidentais, haviam-se tornado quotidianos, O Vesúvio conhecia uma singular prosperidade. A fama dos salgados e doces de Gabriela circulara, desde os primeiros dias, entre os viciados do aperitivo, trazendo gente dos bares do porto alarmando Plínio Araçá, o dono do Pinga de Ouro, Nhô-Galo, Tonico Bastos, o Capitão, cada um por sua vez, haviam partilhado o almoço de Nacib, saíam dizendo maravilhas da comida.

Seus acarajés, as fritadas envoltas em folha de bananeira, os bolinhos de carne, picantes, eram cantados em prosa e verso – em verso porque o Professor Josué a eles dedicara uma quadra, onde rimara «frigideira» com «abrideira», «cozinheira» com «faceira».

Mundinho Falcão já a solicitara por empréstimo, um dia, quando ofereceu um jantar em sua residência por ocasião da acidental passagem por Ilhéus, num Ita, de um amigo seu, senador por Alagoas.

Vinham para o aperitivo, o pocker de dados, acarajés apimentados, bolinhos, salgados de bacalhau a abrir o apetite. O número crescendo, uns trazendo outros, devido às notícias sobre a alta qualidade do tempero de Gabriela.

Mas muitos deles demoravam-se agora um pouco mais além da hora habitual, atrasando o almoço. Desde que Gabriela passara a vir ao bar com a marmita de Nacib.
Click na imagem. O autor, o grande Jorge Amado, o tal que nasceu com uma estrela, como dizia a mãe, e Sónia Braga, a "nossa" Gabriela)


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
À ENTREVISTA Nº 51 SOBRE O TEMA:“COMO
ERA SER CRIANÇA” (5)

Pioneiro numa época sem direitos

Da mesma forma que Jesus teve uma abordagem verdadeiramente revolucionária para com as mulheres, a sua atitude para com as crianças foi igualmente surpreendente para a sociedade do seu tempo.

Ele ensinou que o Reino de Deus era para "crianças" e "aqueles que são como crianças." Isto significa que o reino pertence aos que não são tidos em conta na sociedade.  E significa que Jesus fez das crianças destinatários privilegiados do Reino de Deus enquanto crianças sugerindo que elas estão mais perto de Deus do que os adultos.  Para ele, o valor das crianças não tinha a ver com o que viessem a fazer quando adultos mas assim por serem jovens.  Esta atitude de Jesus não tem precedentes nas tradições de seus antepassados.

Claude Piron é um linguista suíço e psicoterapeuta, Professor Universitário, especialista em questões interculturais.  Participa no programa dando relevo à novidade da mensagem e na atitude de Jesus para com as crianças.  Pode ler as ideias de Piron sobre as crianças no seu texto "Somos responsáveis ​​pela tragédia da «criança-sol» em www.envio.org.ni

Quarta-feira, Maio 30, 2012

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Sobre a curva do caminho apareceram umas nuvens ameaçadoras...

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Moura dos Santos analisa a prova de Pinto da Costa

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Um velho doutor que sempre trabalhara no meio rural, achou que tinha chegado a hora de se aposentar, após ter exercido a medicina por mais de 50 anos.

Ele encontrou um jovem médico para o seu lugar e sugeriu ao novo diplomado que o acompanhasse nas visitas domiciliares para que as pessoas se habituassem a ele progressivamente.

Na primeira casa uma mulher queixou-se que lhe doía muito o estômago.
O velho doutor respondeu-lhe:
- Sabe, a causa provável é que você abusou das frutas frescas... Por que não reduz a quantidade que consome?

Quando eles saíram da casa o jovem disse:
- O senhor nem sequer examinou aquela mulher... Como conseguiu chegar ao diagnóstico assim tão rápido?
- Oh, nem valia a pena examiná-la... Você notou que eu deixei cair o estetoscópio no chão? Quando me abaixei para apanhá-lo, notei que havia muitas de cascas de mangas, algumas ainda verdes, no balde do lixo. Concluí que tal excesso, seguramente, vinha lhe causando as dores.

Na nossa próxima visita você se encarregará do exame.
- Humm! Que legal! Eu vou tentar empregar essa sua técnica!

Na casa seguinte, eles passam vários minutos a falar com uma mulher ainda jovem.
Ela queixava-se de uma grande fadiga:
- Ah, Doutor! Eu me sinto completamente sem forças...
O jovem doutor, encarregado pelo mais velho para examiná-la, diz então, sem grande demora e muito convicto:
- A senhora, provavelmente, está dando muito de si para a igreja... Se reduzir essa atividade, com certeza recuperará toda a sua energia.

Assim que deixaram aquela casa, o velho doutor questionou o novato:
- Colega, o seu diagnóstico surpreendeu-me... Como é que, tão rapidamente, chegou à conclusão de que aquela mulher se dava de corpo e alma aos trabalhos religiosos?
- Eu apliquei a mesma técnica que o senhor me ensinou: deixei cair o meu estetoscópio e, quando me abaixei para o apanhar, vi o padre debaixo da cama!...


GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio Nº 111



Nas roças, os frutos de cacau punham-se de vez, todas as gamas do amarelo na paisagem, um ar doirado. O tempo da colheita aproximava-se, de safra tão grande jamais se tivera notícia.

Gabriela guardava enorme tabuleiro de doces. Outro, ainda maior de acarajés, abarás, bolinhos de bacalhau, frigideiras. O moleque Tuísca pitando uma ponta de cigarro, esperava a contar-lhe conversas do bar, miúdos acontecimentos, aqueles a afectá-lo mais particularmente: os dez pares de sapatos de Mundinho Falcão, as partidas de futebol na praia, um roubo acontecido na loja de fazendas, o anúncio da próxima chegada do Grande Circo Balcânico com elefante e girafa, leões e tigres.

Gabriela ria, ouvindo, ficou atenta às notícias do circo:

 - Vem mesmo?

 - Já tem anúncio nos postes.

Uma vez teve um circo por lá. Fui com a tia para ver. Tinha um homem que comia fogo.

Tuísca fazia projectos: quando o circo chegasse, ele acompanharia o palhaço em seu percurso pela cidade, montado de costas num jumento. Assim acontecia sempre, cada vez que um circo armava seu pavilhão no descampado da banca de peixe. O palhaço a perguntar:

 - Palhaço o que é?

A meninada a responder:

 - É ladrão de mulher…

O palhaço marcava-lhe a testa com cal, ele entrava de graça no espectáculo à noite. Quando não ajudava os “mata-cachorros” na arrumação do picadeiro, fazendo-se indispensável e íntimo. Nessas ocasiões abandonava sua caixa de engraxate.

 - Um circo quis me levar. O director me chamou…

 - De mata-cachorros?

Tuísca quase se ofendeu.

 - Não, de artista.

 - O que é que tu ia fazer?

Iluminou-se o rostinho negro:

 - Pra ajudar com os macacos, aparecer com eles. E pra dançar também… Só não fui por causa de mamãe… – A negra Raimunda estava entrevada de reumatismo, incapacitada de exercer sua profissão de lavadeira; os filhos sustentavam a casa: Filó, “chauffer” de marinete e Tuísca, mestre de várias artes.

 - E tu sabe dançar?

- Nunca viu? Quer ver?

Imediatamente pôs-se a dançar, tinha a dança dentro de si, os pés criando passos, o corpo solto, as mãos batendo o ritmo. Gabriela olhava, como ela era igual, não se conteve. Abandonou tabuleiros e panelas, salgados e doces, a mão a suspender a saia. Dançavam agora os dois, o negrinho e a mulata, sob o sol do quintal. Nada mais existia no mundo.

Em certo momento Tuísca parou, ficou apenas a bater as mãos sobre um tacho vazio, emborcado. Gabriela volteava, a saia voando, os braços indo e vindo, o corpo a dividir-se, as ancas a rebolar, a boca a sorrir.
(Click na imagem de uma pintura da colheita do cacau na Bahía. "As gamas de amarelo na paisagem, um ar doirado..."


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
 À ENTREVISTA Nº 51 SOBRE O TEMA:
 “COMO ERA SER CRIANÇA” (4)

Apesar das Declarações ...

Apesar das declarações, convenções, princípios, códigos e direitos, a situação das crianças no planeta que partilhamos ainda é um desafio formidável.  Com uma variada informação, recolhida no mundo inteiro, o jornalista espanhol José Manuel Martin Medem, construiu um livro chocante: "A guerra contra as crianças" (Editorial El Viejo Topo, Barcelona 1998).

Este jornalista comprometido descreve neste livro a extrema violência que o nosso mundo, acredita-se ser civilizado, exerce sobre as crianças na indústria do sexo, em guerras tribais, no tráfico de órgãos, abuso sexual na família, sobre o trabalho escravo nas adopções ilegais em servidão doméstica, em fábricas… O autor diz na introdução: “Nesta guerra, as armas mais letais contra as meninas, as filhas da miséria, os sem-abrigo que sofrem, como todos os marginalizados, da discriminação e da violência como quase todas as mulheres.  

Aparentemente, o progresso na protecção das crianças está avançando nas declarações antecipadas e nas promessas, mas a ajuda mais básica para elas continua a ser esta recomendação: «Não acredites  no que dizem mas sim no que te fazem.»

Terça-feira, Maio 29, 2012

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Um muro recoberto de flores, um estreito banco para descansar e recolher o perfume... tudo muito simples.


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Casting de beijos... Elas não os vêem mas eles sim... e muito bem...

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Uma mãe stressada, pede ao filho para ligar ao pai, a dizer-lhe que o jantar está pronto.
 
- Já ligaste?! O que o teu pai disse?! Já vem?!

- Já liguei três vezes, mãe, mas só atende uma mulher...
A mãe, interrompendo-o, bruscamente, grita:
 
- ... Aaaah..., deixa comigo!... Quando ele vier, vai ver!!!

Mal o pai chega a casa, ela vira-se a ele e aplica-lhe uma valente tareia, com tudo o que encontra à disposição: vassoura, frigideira, panela, micro-ondas, enfim....

Os vizinhos correm em socorro, mas para conseguirem tirar o homem debaixo dela, era complicado: ela estava furiosa... ralhava, continuava a atirar com as coisas, enquanto esperavam pela ambulância...

- Ordinário, filho da put*, eu mato-te!!! Filho, anda cá! Diz, aqui, a toda a gente, o que foi que aquela vaca te disse, ao telefone!

- Ela disse: "TMN - o número que marcou não está disponível. Por favor, tente mais tarde. Obrigada.?...
 


GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio Nº 110

CANTIGA PARA MALVINA

Dorme, menina dormida
Teu lindo sonho a sonhar.
No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

Estou presa em meu jardim
Com flores acorrentada.
Acudam! Vão me afogar
Acudam! Vão me matar
Acudam! Vão me casar
numa casa me enterrar
na cozinha a cozinhar
na arrumação a arrumar
no piano a dedilhar
na missa a me confessar.
Acudam! Vão me casar
Na cama me engravidar.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

Meu marido, meu senhor
Na minha vida a mandar,
A mandar na minha roupa
No meu perfume a mandar.
A mandar no meu desejo
No meu dormir a mandar.
A mandar nesse meu corpo
Nessa minha alma a mandar
Direito meu a chorar.
Direito dele a matar.

No teu leito adormecida
partirás a navegar.

Acudam! Me levem embora
Quero marido para amar
Não quero para respeitar
Quem seja ele – que importa?
Moço pobre ou moço rico
Bonito, feio, mulato
Me levem embora.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

A navegar partirei
acompanhada ou sòzinha.
Abençoada ou maldita
a navegar partirei.
Partirei para me casar
a navegar partirei.
Partirei para me entregar
a navegar partirei.
Partirei pra trabalhar
a navegar partirei
Partirei pra me encontrar
para jamais  partirei.

Dorme menina dormida
teu lindo sonho a sonhar.


Gabriela com Flor

As flores desabrochavam nas praças de Ihéus, canteiros de rosas, crisântemos, dálias, margarinas, malmequeres. As pétalas «onze horas» abriam-se por entre a relva, pontuais como o relógio da Intendência, salpicando de vermelho o verde da grama.

Para as bandas do Malhado, em meio ao mato, nos bosques húmidos do Unhão e da Conquista, explodiam fantásticas orquídeas. Mas o perfume a elevar-se da cidade, a dominá-la, não vinha dos jardins, dos bosques, das tratadas flores, das orquídeas silvestres.

Chegava dos armazéns de ensacamento, do cais e das casas exportadoras, era o perfume das amêndoas de cacau seco, tão forte que entontecia os forasteiros, tão habitual que ninguém mais o sentia. Espalhando-se sobre a cidade, o rio e o mar.

(Click na imagem de Malvina - «Presa em seu jardim com flores acorrentada»)


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
SOBRE A ENTREVISTA Nº 51 SOBRE O TEMA: “COMO ERA SER CRIANÇA” (3)


Dez princípios, Dez direitos


Estes são os Dez Princípios dos Direitos da Criança enunciados de forma a que as crianças o entendam:


1 - Temos o direito de desfrutar de Direitos.  Não importa a cor da nossa pele, a língua que falamos, nossa religião ou nossas ideias, o país do nosso nascimento ou se a nossa família tem ou não dinheiro.
2 - Temos o direito a oportunidades para desenvolver os nossos corpos e mentes e a crescer em liberdade e dignidade.
3 - Desde o nascimento, temos o direito a um nome e a uma nacionalidade.
4 - Temos direito à saúde, alimentação, viver em uma casa, e brincar.
5 - Se tivermos uma deficiência no corpo ou na mente temos direito a cuidados especiais.
6 - Temos o direito a que nos amem e cuidem de nós, em primeiro lugar pela nossa família e também pelo governo.
7 - Temos o direito a uma educação que não seja aborrecida e nos torne cultos, capazes, responsáveis e úteis aos outros. E que seja gratuita e obrigatória nos níveis básicos.
8 - Em qualquer desastre ou conflito, temos o direito de ser os primeiros a receber ajuda e protecção.
9 - Temos o direito a que nos protejam de todo o abandono, crueldade e abuso e não devemos ser obrigados a fazer trabalho que prejudique a nossa saúde ou o nosso desenvolvimento.
10 - Temos o direito de que nos eduquem a ser generosos com os outros e a trabalhar pela paz no mundo.

Segunda-feira, Maio 28, 2012

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Às vezes a natureza capricha... e o fotógrafo estava lá.

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E só tem 12 anos de idade... vejam lá !. A natureza dá a vida mas a alguns dá mais que isso...

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Milagres...



O GALO VELHO

Um fazendeiro resolve trocar o seu velho galo por outro mais novo que desse melhor conta das inúmeras galinhas.

Ao chegar o novo galo, o mais velho percebendo que iria perder as funções, foi falar com o seu substituto:

 - Olha, sei que estou velho e o meu dono te trouxe para me substituíres mas será que não podes, pelo menos, deixares duas galinhas para mim?

 - O que é isso, velhote? Vou ficar com todas.

 - Mas só duas…

 - Não, já disse! São todas minhas!

 - Então, vamos fazer o seguinte, propôs o velho:

 - Vamos fazer uma corrida à volta do galinheiro. Se eu ganhar fico pelo menos com duas galinhas. Se perder são todas tuas.

 O galo jovem mediu o velho de cima abaixo e disse-lhe:

 - Tudo bem, velhote, aceito.

 - Já que as minhas hipótese de ganhar são poucas dás-me vinte passos de avanço.

 - Está bem, aceito.

Iniciada a corrida o galo novo dispara atrás do velho, este tenta manter o avanço mas rapidamente vai perdendo a vantagem.

Então o fazendeiro vai buscar a espingarda e mata o galo novo dizendo para a mulher:

 - Não entendo esta merda...! É o quinto galo paneleiro que compro esta semana! Os filhos da puta largam as galinhas e correm atrás do galo velho, vá-se lá entender isto!?

MORAL DA HISTÓRIA:

Nada substitui a experiência!


GABRIELA
CRAVO
E
CANELA
Episódio Nº 109



Desatou o nó, Nacib a percorria com os olhos, ela estendeu sorrindo o vestido sobre o corpo, acariciou-o com a mão:

 - Bonito…

Espiou os chinelos baratos. Nacib arfava.

 - O moço é tão bom…

O desejo subia no peito de Nacib, apertava-lhe a garganta. Seus olhos se escureciam, o perfume de cravo o tonteava, ela tomava do vestido para melhor o ver, sua nudez cândida ressurgia.

 - Bonito… Fiquei acordada pró moço me dizer a comida de amanhã. Ficou tarde, vim deitar…

 - Tive muito trabalho. – As palavras saíam-lhe a custo.

 - Coitadinho… Não tá cansado?

Dobrava o vestido, colocava os chinelos no chão.

Me dê penduro no prego.

Sua mão tocou a mão de Gabriela; ela riu:

 - Mão mais fria…

Ele não pôde mais segurou-lhe o braço, a outra mão procurou o seio crescendo ao luar. Ela o puxou para si: moço bonito…

O perfume de cravo enchia o quarto, um calor vinha do corpo de Gabriela, envolveu Nacib, queimava-lhe a pele, o luar morria na cama. Num sussurro entre beijos, a voz de Gabriela agonizava.

 - Moço bonito…


SEGUNDA PARTE

ALEGRIAS E TRISTEZAS DE UMA FILHA DO POVO NAS RUAS DE ILHÉUS, DA COZINHA AO ALTAR (ALIÁS, ALTAR NÃO HOUVE DEVIDO A COMPLICAÇÔES RELIGIOSAS), QUANDO CORRIA FARTO O DINHEIRO E TRANSFORMAVA-SE A VIDA – COM CASAMENTOS E DESCASAMENTOS, SUSPIROS DE AMOR E UIVOS DE CIÚME, TRAIÇÕES POLÌTICAS E CONFERÊNCIAS LITERÁRIAS, ATENTADOS, FUGAS, JORNAIS EM CHAMAS, LUTA ELEITORAL E O FIM DA SOLIDÃO, CAPOEIRISTAS E «CHEFE DE CUISINE» CALOR E FESTAS DE FIM DE ANO, TERNO DE PASTORINHAS E CIRCO MAMBEMBE, QUERMESSE E ESCAFANDRISTAS, MULHERES DESEMBARCANDO A CADA NAVIO, JAGUNÇOS NOS ÚLTIMOS TIROS, COM OS GRANDES CARGUEIROS NO PORTO E A LEI DERROTADA, COM UMA FLOR E UMA ESTRELA


Ou



GABRIELA CRAVO E CANELA





CAPÍTULO TERCEIRO


O segredo de Malvina


(Nascida para um grande destino, presa em seu jardim)


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
 À ENTREVISTA Nº 51 SOBRE O TEMA: 
“COMO ERA SER CRIANÇA” (2)

Dos Direitos da Criança

A primeira declaração dos direitos das crianças foi a "Declaração de Genebra sobre os Direitos da Criança", de 1924, escrito por Eglantyne Jebb, fundadora em 1919 da Aliança Internacional Save the Children, dedicada a ajudar e representar os milhões de crianças refugiadas e deslocadas na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Foi a primeira ONG dedicada às crianças.
Esse texto pioneiro foi adoptado pela Liga das Nações em 26 de Dezembro de 1924. Em 1948, as Nações Unidas adoptaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos que, implicitamente, incluía os direitos das crianças.  Anos depois cresceu a convicção de que as necessidades específicas das crianças devem ser enunciadas e protegidas também de forma específica.
Em 1959, a Assembleia Geral da ONU aprovou a "Declaração dos Direitos da Criança", com 10 princípios.  Em 1989, a ONU ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança, a que aderiram todos os países do mundo, excepto os EUA e a Somália.
 Em 1991, a ONU criou o Comité sobre os Direitos da Criança, para monitorizar a implementação da Convenção em todo o mundo. É composto por dez peritos internacionais de Direitos Humanos de diferentes países e de diferentes sistemas jurídicos.  É de sua responsabilidade de rever os relatórios periódicos sobre o estado dos Direitos da Criança, enviados pelos governos, e fazer recomendações aos governos, em nome das crianças em todo o mundo.
O Comité também lança iniciativas. Em 2002, por exemplo, mobilizou uma campanha global para aumentar a consciencialização sobre a gravidade da aplicação de castigos corporais às crianças.
  

Domingo, Maio 27, 2012


HOJE É DOMINGO
(Na minha cidade de Santarém)


Quando a situação é muito má, quando patinamos para qualquer lado à procura de uma saída, quando as portas se fecham e o desespero nos assalta, está na hora da solução estapafúrdia, metafórica, e aqui entra o Ricardo Araújo Pereira aproveitando a ideia do Ministro Álvaro (o Álvaro) que apontou para os pastéis de nata, ou o Futre para os charteres cheios de chineses ou o D. João II apontando o mar, a Sul. No fundo, o que todos eles nos estavam a apontar era o futuro.
 Vamos rever o texto do Ricardo, escrito em fins de Janeiro último, quando não pensávamos ainda em vender a EDP aos chineses…

 «Quando o ministro Álvaro apontou para o pastel de nata, os parvos olharam mesmo para o pastel de nata. Era dos raros casos em que deveriam ter olhado para o dedo. Teriam constatado que se trata do mesmo dedo com que D. João II apontou para a Índia. Um, disse "Oriente" e o outro disse "pastel de nata", mas ambos quiseram dizer "futuro". Neste momento, é óbvio que a aventura dos Descobrimentos teve, como propósito principal (para não dizer exclusivo), o de ir à Índia buscar a canela que hoje faz falta para polvilhar os pastéis de nata. Entre o Príncipe Perfeito e o Álvaro há apenas uma diferença: o segundo não tem um Camões que verta em decassílabos heróicos a gesta da pastelaria.

Assim, como D. João II teve no Infante D. Henrique um antecessor visionário, também o Álvaro se apresenta às cavalitas de um gigante: Paulo Futre. A exportação de pastéis de nata é o equivalente político da importação de chineses - que foi também, note-se, um projecto de crescimento dirigido para Oriente.
Examinemos a ideia do Álvaro com a atenção que merece. Se cada pastel de nata for vendido ao preço competitivo de um euro, e supondo que alguém nos oferece todos os ingredientes, basta que Portugal venda 78 mil milhões de pastéis de nata para pagar a dívida. Sabendo que o mundo conta, neste momento, com 7 mil milhões de potenciais consumidores de pastéis de nata, a venda de 11,1 pastéis a cada habitante resolve-nos o problema. Não chega a dois cartuchos de pastéis por pessoa, e ainda por cima é por uma boa causa. Se, com os 11,1 pastéis, impingirmos uma bica a cada cliente, ainda nos sobra dinheiro para acabar umas obras que estão paradas por falta de verba na Madeira.

Os críticos que pretenderam reduzir a ideia do Álvaro aos seus aspectos mais folclóricos não perceberam, ou não quiseram perceber, que o projecto não pode ser confinado à exportação dos pastéis, mas deve ser integrado numa estratégia de desenvolvimento global. A produção e venda de 78 mil milhões de pastéis fará de Portugal o maior produtor mundial de colesterol. Um investimento paralelo em medicina cardiovascular poderá projectar internacionalmente a ciência portuguesa e contribuir para manter relações comerciais múltiplas com a estrangeirada lambona, que passa a frequentar-nos tanto a pastelaria como o consultório médico. Mãos à nata.»

Como vêm, é tudo uma questão de imaginação, deixar soltar o delírio que existe em nós, a aventura dos portugueses de quinhentos… Ainda não chegamos a esse momento mas, "entre o desespero que me mata prefiro a loucura que me transporta...”.
(click na imagem da Praça Sá de Bandeira)
  

Sábado, Maio 26, 2012

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Sabiam que em tempos o nosso planeta foi completamente branco, totalmente gelado e assim esteve durante milhões de anos? Pois foi, até que esta espécie de "fumadores de cachimbo" chamados vulcões, foram irrompendo aqui e ali e libertaram a vida...


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Verdadeiro talento...


Um fogo deflagra numa grande herdade Alentejana.


Os bombeiros foram imediatamente chamados para extinguir as chamas.


O fogo estava cada vez mais forte, e os bombeiros não conseguiam dominar as chamas.


A situação já estava a ficar fora de controlo, quando alguém sugeriu que se chamasse o grupo de voluntários da Vidigueira.


Apesar de alguma dúvida quanto às capacidades e equipamento dos voluntários, sempre seria mais uma forma de auxilio. Assim foi.


Os voluntários chegaram num camião velho, desgastado pelos anos e operações de combate.
Passaram em grande velocidade e dirigiram-se em linha recta para o centro do incêndio!
Entraram pelo fogo adentro e só pararam mesmo no meio das chamas.


Estupefacta, a população assistiu a tudo.


Os voluntários saltaram todos do camião e começaram a pulverizar freneticamente em todas as direcções. Como estavam mesmo no meio do fogo, as chamas dividiram-se, e restaram duas porções facilmente controláveis.


Impressionado com o trabalho dos voluntários da Vidigueira , o latifundiário dono do monte respirou de alívio quando viu a sua herdade ser poupada à devastação das chamas. Na hora puxou da carteira e passou imediatamente um cheque de 5000 euros à corporação voluntária.


Um repórter do jornal local perguntou logo ao comandante dos bombeiros:


- 5000 euros! Já pensou o que vai fazer ao dinheiro?
- Penso que é óbvio, né? - responde o comandante ainda a sacudir a cinza do capacete. - A primeira coisa que vamos fazer é arranjar a porra dos travões do camião!!!

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Se eu morrer antes de você...Vinícius de Morais








GABRIELA
CRAVO
E
CANELA

Episódio Nº 108



Porque diferente, que queria dizer João Fulgêncio, homem tão ilustrado com aquela coisa de “carácter”? A verdade é que ela aparecera no velório, levando flores. O pai visitara Jesuíno, “levara-lhe o seu abraço” como ele mesmo dissera a Nacib no “mercado de escravos”.

A filha, moça solteira e estudante, à espera de noivo, que diabo fora fazer junto ao caixão de Sinhàzinha? Tudo dividido, o pai de um lado, a filha do outro. Esse mundo é complicado, entenda-o quem quiser, estava acima de suas forças, não passava de dono de bar, porque pensar em tudo isso?

Tinha era de ganhar dinheiro para um dia comprar roça de cacau. Se Deus ajudasse, haveria de comprar. Talvez então pudesse olhar o rosto de Malvina, tentar decifrar o seu enigma. Ou pelo menos botar casa para rapariga igual a Glória.

Estava com sede, foi beber água na moringa da cozinha. Viu o pacote com o vestido e os chinelos, trazidos da loja do tio. Ficou indeciso. O melhor era entregar no outro dia. Ou botar na porta do quartinho dos fundos para a empregada encontrar quando acordasse. Como se fosse Natal…

Sorriu, tomou do embrulho. Na cozinha engoliu a água em grandes goles, bebera muito naquele dia, durante o jantar, ajudando a servir.

A Lua, no alto dos céus, iluminava o quintal de mamoeiros e goiabeiras. A porta do quarto da empregada estava aberta. Talvez por causa do calor. No tempo de Filomena era trancada à chave, a velha tinha medo de, ladrões, sua riqueza eram os quadros dos santos.

O luar entrava quarto adentro. Nacib aproximou-se, deixaria o pacote nos pés da cama, ela levaria um susto pela manhã. E talvez na própria noite…

Os olhos perscrutaram a escuridão. A réstia de luar subia pela cama, iluminava um pedaço de perna. Nacib firmou a vista, já excitado. Esperara dormir essa noite nos braços de Risoleta, nessa certeza fora ao cabaré, antegozando a sabedoria dela, de prostituta de cidade grande. Ficara-lhe o desejo irritado. Agora via o corpo moreno de Gabriela, a perna saindo da cama. Mais do que via, adivinhava sob a coberta remendada, mal cobrindo a combinação rasgada, o ventre e os seios. Um seio saltava pela metade, Nacib procurava enxergar. E aquele perfume de cravo de tontear.

Gabriela agitou-se no sono, o árabe transpusera a porta. Estava com a mão estendida, sem coragem de tocar, o corpo dormido. Porque apressar-se? Se ela gritasse, se fizesse um escândalo, fosse embora? Ficaria sem cozinheira, outra igual a ela jamais encontraria. O melhor era deixar o pacote na beira da cama. No outro dia demoraria mais em casa, ganhando sua confiança pouco a pouco, terminaria por conquistá-la.

Sua mão quase tremia pousando o embrulho. Gabriela sobressaltou-se, abriu os olhos, ia falar, mas viu Nacib de pé, a fitá-la. Com a mão instintivamente procurou o cobertor, mas tudo o que conseguiu – por acanhamento ou por malícia? - foi fazê-la escorregar da cama. Levantou-se a meio, ficou sentada, sorria tímida. Não buscava esconder o seio, agora visível ao luar.

 - Vim trazer-lhe um presente – gaguejou Nacib – ia botar em sua cama. Cheguei agorinha…

Ela sorria, era de medo ou era para encorajar? Tudo podia ser, ela parecia uma criança, as coxas e os seios à mostra, como se não visse mal naquilo, como se nada soubesse daquelas coisas, fosse toda ela inocência. Tirou o embrulho da mão dele:

 - Obrigado, moço. Deus lhe pague.

(carregue na imagem do "casal". Gabriela, "mulher criança". Nacib, "moço de sorte".)


INFORMAÇÔES ADICIONAIS 
À ENTREVISTA Nº 51
SOBRE O TEMA: "COMO ERA SER CRIANÇA?"

Menores

No tempo de Jesus, as crianças não tinham direitos, tinham muitas responsabilidades e de muito pouco valiam. As meninas, essas, ainda valiam menos. Das meninas disseram que eram um "tesouro ilusório." Os filhos e filhas eram vistas como uma bênção de Deus, mas sua importância só era verdadeira quando chegavam à "maior idade”", que acontecia muito cedo, aos doze anos.

 Do ponto de vista dos direitos da lei e obrigações religiosas, o baixo valor das meninas era descrito por incluí-las nesta fórmula, comum nos escritos da época: ". Surdo, mudo e jovem".Também eram citadas juntamente com os idosos, doentes, escravos, mulheres, deficientes, homossexuais e deficientes visuais